Há alguns dias da realização das eleições estaduais, alunos dos cursos de Direito e Jornalismo fizeram dois dias de palestras com os possíveis candidatos à Prefeitura de São Paulo. O local escolhido, o auditório Ruy Barbosa concentrou uma enorme legião de alunos interessados nas propostas dos aspirantes ao cargo. Entre os convidados presentes estavam Ivan Valente, Geraldo Alckmin e Soninha, que ainda contaram com a ausência do candidato Gilberto Kassab, que cancelou na última hora sua presença.
Após assistirem as palestras, os alunos da instituição mostraram diferenças em suas percepções com relação aos candidatos. “Continuo votando no Alckmin”, afirmou Ana Carolina, de 22 anos, aluna do 6° semestre do curso de Jornalismo. “Antes iria votar no Kassab. Com a sua ausência e com o plano de governo apresentado pela candidata Soninha, meu voto é para ela”, disse Felippe Filadoro, de 21 anos, aluno do 5º semestre do curso de Jornalismo.
Thiago Manholer
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Soninha disse que jovens de hoje são muito engajados politicamente
SF: Eles são cheios de ação. Quem pensa que hoje eles não querem nada estão muito equivocados, mas isso acontece porque antes eles tiveram um papel importante na ditadura, e agora não se tem uma causa para uní-los. Hoje há outras formas de lutar. Em faculdades e em periferias há vários movimentos pela educação, saúde, transporte... É uma pena que eles não tenham contato com a Câmara, ela precisa de mais pressão. Geralmente quando há um contato, há um equívoco. Não se pode idealizar mulheres e jovens.
D: Qual é o peso desse público na sua campanha?
SF: Sem dúvida é um público que já me conhece, é uma vantagem. Mas eu não me dirijo especificamente para eles há um grande número de pessoas mais velhas desiludidas com a política. Eles têm um grande peso.
D: Você se diferencia dos outros candidatos por não ser extremista, nem para a direita e nem para a esquerda, como você tem feito isso?
SF: Talvez o budismo (risos). Eu já fui mais intolerante e intransigente, ainda sou com algumas coisas na verdade. O budismo faz diferença. Desde criança sou meio advogada do diabo, sempre me pus do outro lado. Tenho um verdadeiro fanatismo por justiça, sempre sou impulsiva quando ela existe. Acredito que quando a gente carrega isso para a campanha, nos tornamos mais sensatos, lúcidos.
D: Soninha, você acha que a questão da maconha acaba ofuscando o que você quer passar na verdade? Incomoda muito, você se arrepende de ter dado a entrevista?
SF: Não, não me incomoda e não me arrependo. Apenas lamento. Me incomodo muito quando há uma condenação sem saber o que realmente penso. Fico espantada quando me perguntam se entrei para a política depois da entrevista, isso é fazer política de verdade, questionar, informar... Minha posição é essa, mesmo que me faça perder votos, não posso enganar a mim e aos meus eleitores. Sempre me disponho a falar do assunto porque é uma discussão política.
Mariana Lanfranchi
Foto: Lucas Rossi
Evacuação do centro é o tema principal para Soninha
Soninha partilhou da mesma idéia que Ivan Valente e Alckmin no que diz respeito ao esvaziamento do centro expandido de São Paulo e da surpelotação que vem acontecendo nas regiões periféricas. Ela afirmou que aproximadamente 400 mil pessoas deixaram o centro da metrópole. A candidata falou sobre a deterioração da região central e do esvaziamento dos imóveis da região, e ressaltou o fato de que, “as áreas periféricas são apenas regiões dormitórios e com pouca oferta de emprego”, e na influência que isso tem no o trânsito e na superlotação dos transportes coletivos nos horários de pico. Soninha também alertou para a questão das áreas de mananciais e reservar que estão sendo habitadas, e das unidades habitacionais precárias feitas pelos governos anteriores, que não tem nenhum espaço para lazer, cultura e até mesmo comércio, “eles entregam seu ‘caixotinho’ e dizem que esse é o seu direito de moradia”.
Ao terminar esboçar seu plano de governo – que para não estender mais a noite foi focado nos principais pontos - a candidata do PPS passou a responder as questões dos ouvintes presentes na sabatina no Auditório Ruy Barbosa – que permaneceu lotado de estudantes e visitantes após a palestra do candidato oponente, Geraldo Alckmin, e recebeu a risonha, mas não menos séria por isso, de braços abertos e perguntas na ponta da língua – e dessa maneira continuar explicando e expondo seu plano de governo. Soninha foi questionada sobre qual seria seu projeto para recuperar o centro e respondeu que seria por meio das ZEIS, da recuperação de prédios abandonados, dos incentivos as empresas para que movimentem mais a economia na periferia, das medidas que tomaria junto às construtoras para conciliar as obras com o interesse público. Além de afirmar, “quero criar novos empregos nas zonas periféricas, elevar o nível educacional e profissionalizar a população local, e assim sanar outros problemas, como a alta locomoção dos moradores das áreas mais distantes para o centro todos os dias, o que contribui para o aumento do trânsito e de passageiros para os transportes públicos”.
Soninha também foi indagada se a infra-estrutura da cidade suportaria a implantação dos pedágios urbanos propostos por ela, e sobre a questão a candidata afirmou que, “não, atualmente a cidade não possui a infra-estrutura necessária haver essa mudança”. Antes da implementação, ela afirma que o transporte público tem que ser muito melhorado e o uso do automóvel deve ser desestimulado – essa seria a principal função do pedágio – e prometeu que toda a verba arrecadada com o pedágio seria imediatamente revertida para a melhoria e expansão do transporte coletivo, mas que, “todo o processo levaria pelo menos um ano para se concretizar”.
A candidata à prefeita respondeu também como é possível combater a corrupção sem citar nomes e como ela pretende combatê-la – a pergunta fez clara alusão ao episódio ocorrido na câmara, envolvendo Soninha e outra vereadora - dizendo que ela existe em todos os setores, mas que acha absurdo o fato de todo projeto ter um acordo para ser aprovado, mesmo que não seja financeiro. Soninha afirmou que no “mundo ideal” não haveria acordo em nenhum setor e sob nenhuma hipótese, mas que no “mundo real” não há pauta sem acordo, contudo ele defende um acordo baseado nos interesses da população, “já que haverá acordo de qualquer maneira, pelo menos que seja mais sensato”.
A simplicidade de sua campanha foi uma pergunta que arrancou risos da candidata e da platéia, com suas exemplificações e comentários bem-humorados, e Francine respondeu se acreditava que isso prejudicava sua imagem como candidata dizendo que a questão é sem dúvidas polêmica. Ela afirmou que se tivesse a possibilidade de arrecadar milhões, não gastaria o dinheiro em campanha, a candidata do PPS disse que, “acho isso um absurdo, mas gostaria de ter condições de melhorar, sem exageros é claro”. Outra pergunta polêmica para a candidata foi a respeito da fidelidade partidária - a candidata foi eleita à vereadora pelo PT e hoje se candidata à prefeita pelo PPS – e sem constrangimento algum, Soninha disse que a fidelidade partidária tem com função impedir o “troca-troca” de partidos sem impedir mudanças legítimas. Ela afirma que terá que mostrar que saiu do PT por motivos justos – no seu caso por não concordar mais com o rumo que o partido tem tomado – para não perder o mandato de vereadora.
As perguntas finais para a candidata foram sobre seus oponentes, futebol e maconha. A primeira era sobre qual programa de gestões anteriores Soninha manteria caso seja eleita, e ela respondeu alguns como os CEUs, – com melhorias - de Marta Suplicy, o programa habitacional na favela do Gato – Parque do Gato, também de Marta, algumas medidas ambientais tomados no governo de Gilberto Kassab, como o Programa de Corredor Limpo, sistema cicloviário e o Programa de Defesa da Águas – que de segundo Soninha precisa de ajustes – e ainda ressaltou algumas qualidades e alguns defeitos do PT e PSDB como a preocupação com a sustentabilidade dos programas e sua qualidade – ponto positivo de ambos os partidos – e o excesso de “conversa” do PT, que acaba gerando demora nas resoluções e a falta de “conversa” do PSDB, que não houve a população e acaba tomando muitas medidas que futuramente prejudicam a todos.
A candidata, que é jornalista esportiva, foi questionada sobre a copa de 2014, e afirmou que apesar de defender o direito de recebermos a copa no Brasil, fica sempre com “o pé atrás” porque obras são ótimas para serem superfaturadas, contudo disse que, “o futebol é um traço cultural brasileiro” e que como haverá copa aqui de qualquer maneira os eleitores e a mídia devem ficar atentos.
Após o futebol, o tema foi polêmico na sabatina, Soninha teve que responder sobre o fato de já ter admitido usar maconha e sobre seu posicionamento a favor ou contra sua legalização – nesse momento os componentes da mesa e todos da organização se olharam, e um breve momento de suspense pairou no ar - e apesar da saia justa, a candidata respondeu com tranqüilidade e explicou o que gerou a confusão. Soninha afirmou que não usa maconha há anos e disse que quando deu a entrevista para a revista Época – a partir dessa entrevista a polêmica teve início – o objetivo proposto pela mídia era uma discussão política entre algumas pessoas conhecidas, mas que infelizmente o resultado final não foi esse e tudo acabou parecendo como uma declaração de sua intimidade. Ela disse que para haver discussão sobre o tema é preciso haver mais informação sobre a maconha e seus efeitos. A candidata falou sobre o risco de câncer, a dependência, “que não acontece como com outras drogas” e os danos sociais, já que a droga é ilegal e o combate é armado. Para Francine a repressão não funciona, só dá lugar a outras drogas e se disse a favor da descriminalização por causa dos danos sociais.
Para finalizar a noite, Soninha respondeu em que candidato votaria se não fosse candidata, e afirmou ser Ivan Valente. Depois da sabatina ser encerrada, Soninha Francine foi muito aplaudida por todas as pessoas presentes, abraçou amigos, que a surpreenderam com sua presença, e sua filha – que é formada em biologia pelo Mackenzie – além de tirar muitas fotos com toda a organização do evento e com seus eleitores. Após a sessão tietagem, a candidata deu uma entrevista, exclusiva, para o Jornal Diretriz. Acompanhe nossas perguntas e as respostas da candidata no próximo post.
Mariana Lanfranchi
Foto: Lucas Rossi
Alckmin afirma ter menos rejeição do que Marta Suplicy
GA: Um grande peso. O jovem é um líder, um formador de opinião, é sonhador e idealista. O percentual de jovens entre meus votantes é alto.
D: Qual você acredita que será seu maior desafio caso seja eleito?
GA: A área da saúde é a que tem mais queixas, pretendo avançar muito nesse setor, e conto com o auxílio da população nessa tarefa. Mas também é preciso melhorar o sistema educacional, principalmente o infantil, e é claro o transporte.
D: Há uma grande diferença entre a sua abordagem política e a abordagem de candidatos de esquerda, como a Marta Suplicy, por exemplo. A política dela é mais popular, fala mais diretamente como povo, e a sua é mais polarizada. Você acha que a população percebe essa diferença?
GA: O PT é um partido de grande presença, mas no 2º turno nós ganharemos, mesmo porque teremos o mesmo tempo de propaganda política, além do fato de termos menos rejeição da população.
D: O senhor acredita que a Marta Suplicy está na liderança porque a população já conhece o seu trabalho ou porque a política popular funciona melhor?
GA: No 2º turno nós ganharemos, e teremos votos das camadas populares. O PT abandonou a saúde e a população não esquece essas coisas. Não há eleição fácil, mas no 2º turno o quadro é diferente.
Mariana Lanfranchi
Foto: Lucas Rossi
Transporte, educação e saúde serão preoridades para Alckmin
Durante sua palestra – que contou com uma entrada surpreendente do candidato, pelo centro do Auditório Ruy Barbosa, que naquela noite estava lotado - Alckmin comparou nossa cidade à países como Portugal, ressaltando o fato de que São Paulo é ainda maior. O candidato afirmou que a cidade é a mais motorizada do planeta e possui a segunda maior frota de helicópteros do mundo. Contudo, sua desigualdade é igualmente proporcional ao seu tamanho.
No decorrer da apresentação de seu plano de governo, Geraldo Alckmin explicou três tipos diferentes de visões da cidade. A primeira é a visão global, que posiciona São Paulo perante o mundo, e salienta a grande capacidade de serviços avançados de produção, da influência econômica mundial da cidade e o fato de torná-la uma “capital digital” - desburocratizando o sistema e garantindo a segurança jurídica aos cidadãos – para o candidato, “São Paulo é a terra do trabalho e da oportunidade”, e essa visão contribuiria para seu crescimento global. A segunda é a visão metropolitana da capital, que alerta para a urbanização mundial e a grande oferta de empregos no terceiro setor, e sobre a importância de uma reurbanização na zona central da cidade. A terceira visão é a local, e nela Alckmin definiu São Paulo de maneira grandiosa dizendo que a cidade é a síntese do país todo, é onde as culturas se misturam e todos buscam pela grande oferta de emprego.
Em seu plano de governo, o candidato prometeu reduzir a desigualdade social e melhorar os serviços públicos, além de afirmar que fará um planejamento urbano e melhorará a mobilidade de todos. Ele também pretende estimular a migração da população para o centro expandido da cidade, mas também quer criar novos centros auto-sustentáveis.
No que diz respeito ao desenvolvimento econômico, Geraldo Alckmin disse que planeja construir novos parques industriais e comerciais, centros de logística e centros de convenções, o que em sua visão também contribuirá para o turismo de negócios. Nesse momento, o candidato atacou diretamente o PT e sua política tributária. Já no setor da saúde, o tucano pretende contratar mais médicos, melhorar os salários, garantir mais segurança – para isso acontecer ele promete colocar a guarda civil fazendo inspeção nos hospitais – ampliar a gratificação por segurança e implantar o plano de carreira.
Após expor seu plano de governo, com toques de humor e sempre muito aplaudido, Alckmin respondeu as perguntas feitas pelo público presente. Ao ser questionado sobre a competência do PTB – partido de Campos Machado, seu vice-candidato – e as relações entre Kassab, Pitta e PTB, o candidato relembrou o histórico político de cada partido e ressaltou que Pitta e Kassab não estiveram sempre no PTB, e que por isso e por outras razões o partido era de extrema credibilidade. Geraldo Alckmin falou sobre o fato de ser um dos fundadores do PSDB e sobre a ética e seriedade do partido, mas lembrou que, “os tucanos precisam voltar mais as suas origens, para não se tornarem apenas mais um”. Nesse momento, o candidato do PSDB atacou mais uma vez o PT, mais precisamente o presidente, dizendo que em seu governo “ele apenas colheu os benefícios do mandato de Fernando Henrique Cardoso”.
A pergunta seguinte seguiu com o tema sobre a fidelidade partidária, e questionou também sobre o fato de alguns tucanos estarem apoiando seu oponente, Gilberto Kassab. Nesse momento, Alckmin afirmou que obteve 90% de aprovação à sua candidatura pelo seu partido, e que para ele “fidelidade é caráter, o partido é uma família”. Ele afirmou lamentar a falta de fidelidade e questionou, “como um candidato pode ser fiel ao eleitor se não é fiel nem ao próprio partido”? Para o tucano se a troca de partido é inevitável, que seja pelo menos dentro do mesmo segmento.
Como não poderia faltar, o polêmico assunto da Lei Seca também esteve presente na sabatina. Ao ser questionado sobre seu posicionamento a respeito da rigorosa lei, Alckmin enfatizou que, “essa é uma questão de saúde pública”, e que cabe ao governo oferecer alternativas para que a vida social e a economia não sintam tanto com a lei, e oferecer transporte público 24 horas é uma ótima opção – sugestão “gritada” por um ouvinte da palestrada, interrompendo o candidato - mas o candidato não parou por aí, e demonstrou que caso seja eleito a lei para os fumantes deve se tornar mais rígida também.
Quando as perguntas foram relacionadas à educação, o candidato afirmou que continuará com a educação continuada, proporcionará faculdade para os professores da rede pública, além de lembrar de projetos seus que deram certo como o “amigos da escola”, a USP Leste e novas Fatecs. E como não poderia faltar, é claro que todos questionaram sobre o transporte coletivo da cidade, que segundo o candidato, “cabe ao governo garantir o transporte coletivo de qualidade”, e por isso garantiu que sua prioridade será melhorar o sistema e a qualidade dos ônibus, tornando-os mais eficazes, velozes e confortáveis.
Após responder as perguntas, Alckmin agradeceu a oportunidade e, é claro, pediu o voto de todos. A palestra teve duração de aproximadamente 1h30, e terminou com muitas palmas e com muita gente em volta do candidato, em busca de uma foto ou apenas querendo vê-lo mais de perto. Com muito esforço, a organização do evento conseguiu encaminhá-lo para uma sala reservada, e lá ele concedeu uma entrevista, para o Diretriz. Confira a entrevista no próximo post.
Mariana Lanfranchi
Foto: Lucas Rossi
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
“A cidade é para todos e não apenas para alguns”
Ivan Valente define seu o plano de governo apresentado, que defende a inversão de prioridades, um novo projeto para a arrecadação de recursos e justiça fiscal, em uma única frase: “A cidade é para todos e não apenas para alguns”. Essa foi uma das declarações feitas pelo candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, na noite do dia 22, na sabatina realizada pelo Jornal Diretriz e o Diretório Acadêmico João Mendes Júnior – faculdade de direito - da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Ivan Valente iniciou seu discurso criticando as propagandas eleitorais milionárias dos outros candidatos e a ligação direta que elas tem com empresas – o que num futuro mandato gera o famoso “rabo preso” - e explicou que por isso prefere fazer uma campanha mais simples e menos problemática futuramente. Após essa crítica, ele apresentou propostas como a utilização de 10% do PIB para investir na educação e melhorar sua qualidade, a criação de uma empresa pública de transporte, que controlaria melhor a demanda de ônibus, trem e metrô, além de torná-lo mais confortável e seguro. O candidato defende também mudança no Plano Diretor, com o objetivo de controlar a especulação imobiliária, e com isso elevar a qualidade de moradia de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Para finalizar suas propostas, Valente prometeu a suspensão do pagamento dos juros da dívida pública da prefeitura para o Estado, e esse dinheiro seria destinado a inversão de prioridades que ele pretende fazer, dando maior ênfase e melhorando a qualidade de vida das classes menos favorecidas.
Após a explanação de seus projetos, o candidato respondeu às perguntas dos alunos e aproveitou, é claro, para divulgar mais suas propostas. Tiago, aluno de direito, perguntou a Ivan Valente, caso ele seja eleito, como ele faria para driblar os interesses políticos, muitas vezes adversos dos vereadores, e teve como resposta que a mobilização política da população é a melhor saída, e não a submissão e a compra e venda de votos. Ao ser questionado sobre como ele pretende lhe dar com a divergência de sua identidade política – socialista - e da realidade de São Paulo – um centro financeiro capitalista – e como acredita poder atender às necessidades da classe média e alta, o candidato do PSOL disse que não há como implementar o socialismo em apenas uma cidade, mas que pode inverter a situação e promover maior inclusão social, implantando medidas que favoreçam também a minoria. Ivan Valente afirmou que não irá discriminar nenhuma classe, já que as mais favorecidas já são atendidas, e enfatizou que nenhum direito será tirado, mas que outros também os terão.
Um dos momentos mais marcantes da palestra foi a observação feita por Giovani Ravagnani, aluno de direito, que ressaltou o fato do “candidato da Instituição” não ter comparecido – referindo-se a ausência da Gilberto Kassab, que se comprometeu com os alunos do Diretriz, via assessoria de imprensa, que compareceria ao encontro às 19h00 da mesma noite – e o candidato da oposição – Ivan Valente – estar presente. Surpreso, o palestrante agradeceu o parecer do aluno e brincou com o acontecido lembrando que em 1968 ele estava na Rua Maria Antônia, que virou palco da batalha entre o a faculdade de direito do Mackenzie e a faculdade de filosofia da USP – que antigamente tinha sede no atual prédio do TUSP.
A palestra, que teve duração de aproximadamente 1h30, terminou em torno das 10h30 da noite com aplausos e com muitos estudantes tentando falar com o candidato. Mesmo cansado, Ivan Valente falou, exclusivamente, com o Diretriz e pareceu não estar abatido ou decepcionado com o pequeno público daquela noite, cerca de um terço do Auditório Ruy Barbosa. Veja a seguir a entrevista:
D: O que você pensa sobre o público universitário votante?
IV: No público jovem não há algumas pessoas interessadas porque estão em busca de um caminho individual, e outras que estão em busca de saídas e tem grande interesse na política. As denúncias de corrupção confundem a nobreza da política com a sujeira, e a população também fica confusa.
D: Qual era sua expectativa em vir ao Mackenzie?
IV: Minha expectativa era positiva. O movimento estudantil, e o fato de eu ter participado contra a ditadura me fascinam.
D: Seu posicionamento e abordagem foram modificados para palestrar aqui?
IV: O Mackenzie em 1968 era identificado com de direita, hoje isso mudou. Em todas as universidades há os dois lados. Vim sem nenhuma resistência para o Mackenzie.
D: O fato de você não estar brigando “voto a voto” pela prefeitura te estimula ou desanima?
IV: A disputa está sendo importante para a formação e construção do partido, além do conhecimento do público. O processo me estimula a continuar o partido, e hoje temos um reconhecimento de nossa seriedade e ética, e a matriz de esquerda reconhecida.
Mariana Lanfranchi
Ivan Valente iniciou seu discurso criticando as propagandas eleitorais milionárias dos outros candidatos e a ligação direta que elas tem com empresas – o que num futuro mandato gera o famoso “rabo preso” - e explicou que por isso prefere fazer uma campanha mais simples e menos problemática futuramente. Após essa crítica, ele apresentou propostas como a utilização de 10% do PIB para investir na educação e melhorar sua qualidade, a criação de uma empresa pública de transporte, que controlaria melhor a demanda de ônibus, trem e metrô, além de torná-lo mais confortável e seguro. O candidato defende também mudança no Plano Diretor, com o objetivo de controlar a especulação imobiliária, e com isso elevar a qualidade de moradia de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Para finalizar suas propostas, Valente prometeu a suspensão do pagamento dos juros da dívida pública da prefeitura para o Estado, e esse dinheiro seria destinado a inversão de prioridades que ele pretende fazer, dando maior ênfase e melhorando a qualidade de vida das classes menos favorecidas.
Após a explanação de seus projetos, o candidato respondeu às perguntas dos alunos e aproveitou, é claro, para divulgar mais suas propostas. Tiago, aluno de direito, perguntou a Ivan Valente, caso ele seja eleito, como ele faria para driblar os interesses políticos, muitas vezes adversos dos vereadores, e teve como resposta que a mobilização política da população é a melhor saída, e não a submissão e a compra e venda de votos. Ao ser questionado sobre como ele pretende lhe dar com a divergência de sua identidade política – socialista - e da realidade de São Paulo – um centro financeiro capitalista – e como acredita poder atender às necessidades da classe média e alta, o candidato do PSOL disse que não há como implementar o socialismo em apenas uma cidade, mas que pode inverter a situação e promover maior inclusão social, implantando medidas que favoreçam também a minoria. Ivan Valente afirmou que não irá discriminar nenhuma classe, já que as mais favorecidas já são atendidas, e enfatizou que nenhum direito será tirado, mas que outros também os terão.
Um dos momentos mais marcantes da palestra foi a observação feita por Giovani Ravagnani, aluno de direito, que ressaltou o fato do “candidato da Instituição” não ter comparecido – referindo-se a ausência da Gilberto Kassab, que se comprometeu com os alunos do Diretriz, via assessoria de imprensa, que compareceria ao encontro às 19h00 da mesma noite – e o candidato da oposição – Ivan Valente – estar presente. Surpreso, o palestrante agradeceu o parecer do aluno e brincou com o acontecido lembrando que em 1968 ele estava na Rua Maria Antônia, que virou palco da batalha entre o a faculdade de direito do Mackenzie e a faculdade de filosofia da USP – que antigamente tinha sede no atual prédio do TUSP.
A palestra, que teve duração de aproximadamente 1h30, terminou em torno das 10h30 da noite com aplausos e com muitos estudantes tentando falar com o candidato. Mesmo cansado, Ivan Valente falou, exclusivamente, com o Diretriz e pareceu não estar abatido ou decepcionado com o pequeno público daquela noite, cerca de um terço do Auditório Ruy Barbosa. Veja a seguir a entrevista:
D: O que você pensa sobre o público universitário votante?
IV: No público jovem não há algumas pessoas interessadas porque estão em busca de um caminho individual, e outras que estão em busca de saídas e tem grande interesse na política. As denúncias de corrupção confundem a nobreza da política com a sujeira, e a população também fica confusa.
D: Qual era sua expectativa em vir ao Mackenzie?
IV: Minha expectativa era positiva. O movimento estudantil, e o fato de eu ter participado contra a ditadura me fascinam.
D: Seu posicionamento e abordagem foram modificados para palestrar aqui?
IV: O Mackenzie em 1968 era identificado com de direita, hoje isso mudou. Em todas as universidades há os dois lados. Vim sem nenhuma resistência para o Mackenzie.
D: O fato de você não estar brigando “voto a voto” pela prefeitura te estimula ou desanima?
IV: A disputa está sendo importante para a formação e construção do partido, além do conhecimento do público. O processo me estimula a continuar o partido, e hoje temos um reconhecimento de nossa seriedade e ética, e a matriz de esquerda reconhecida.
Mariana Lanfranchi
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