
A candidata à prefeitura de São Paulo pelo PPS, Soninha Francine, explanou seu Plano de Governo e mostro-se ainda mais simpática e acessível durante a sabatina da noite do dia 23 de setembro. A candidata acredita que é muito difícil eleger o principal problema da cidade, para ela um problema leva a outro, e pensa que, “é perfeitamente possível uma administração municipal cuidar de todos os problemas da cidade ao mesmo tempo”.
Soninha partilhou da mesma idéia que Ivan Valente e Alckmin no que diz respeito ao esvaziamento do centro expandido de São Paulo e da surpelotação que vem acontecendo nas regiões periféricas. Ela afirmou que aproximadamente 400 mil pessoas deixaram o centro da metrópole. A candidata falou sobre a deterioração da região central e do esvaziamento dos imóveis da região, e ressaltou o fato de que, “as áreas periféricas são apenas regiões dormitórios e com pouca oferta de emprego”, e na influência que isso tem no o trânsito e na superlotação dos transportes coletivos nos horários de pico. Soninha também alertou para a questão das áreas de mananciais e reservar que estão sendo habitadas, e das unidades habitacionais precárias feitas pelos governos anteriores, que não tem nenhum espaço para lazer, cultura e até mesmo comércio, “eles entregam seu ‘caixotinho’ e dizem que esse é o seu direito de moradia”.
Ao terminar esboçar seu plano de governo – que para não estender mais a noite foi focado nos principais pontos - a candidata do PPS passou a responder as questões dos ouvintes presentes na sabatina no Auditório Ruy Barbosa – que permaneceu lotado de estudantes e visitantes após a palestra do candidato oponente, Geraldo Alckmin, e recebeu a risonha, mas não menos séria por isso, de braços abertos e perguntas na ponta da língua – e dessa maneira continuar explicando e expondo seu plano de governo. Soninha foi questionada sobre qual seria seu projeto para recuperar o centro e respondeu que seria por meio das ZEIS, da recuperação de prédios abandonados, dos incentivos as empresas para que movimentem mais a economia na periferia, das medidas que tomaria junto às construtoras para conciliar as obras com o interesse público. Além de afirmar, “quero criar novos empregos nas zonas periféricas, elevar o nível educacional e profissionalizar a população local, e assim sanar outros problemas, como a alta locomoção dos moradores das áreas mais distantes para o centro todos os dias, o que contribui para o aumento do trânsito e de passageiros para os transportes públicos”.
Soninha também foi indagada se a infra-estrutura da cidade suportaria a implantação dos pedágios urbanos propostos por ela, e sobre a questão a candidata afirmou que, “não, atualmente a cidade não possui a infra-estrutura necessária haver essa mudança”. Antes da implementação, ela afirma que o transporte público tem que ser muito melhorado e o uso do automóvel deve ser desestimulado – essa seria a principal função do pedágio – e prometeu que toda a verba arrecadada com o pedágio seria imediatamente revertida para a melhoria e expansão do transporte coletivo, mas que, “todo o processo levaria pelo menos um ano para se concretizar”.
A candidata à prefeita respondeu também como é possível combater a corrupção sem citar nomes e como ela pretende combatê-la – a pergunta fez clara alusão ao episódio ocorrido na câmara, envolvendo Soninha e outra vereadora - dizendo que ela existe em todos os setores, mas que acha absurdo o fato de todo projeto ter um acordo para ser aprovado, mesmo que não seja financeiro. Soninha afirmou que no “mundo ideal” não haveria acordo em nenhum setor e sob nenhuma hipótese, mas que no “mundo real” não há pauta sem acordo, contudo ele defende um acordo baseado nos interesses da população, “já que haverá acordo de qualquer maneira, pelo menos que seja mais sensato”.
A simplicidade de sua campanha foi uma pergunta que arrancou risos da candidata e da platéia, com suas exemplificações e comentários bem-humorados, e Francine respondeu se acreditava que isso prejudicava sua imagem como candidata dizendo que a questão é sem dúvidas polêmica. Ela afirmou que se tivesse a possibilidade de arrecadar milhões, não gastaria o dinheiro em campanha, a candidata do PPS disse que, “acho isso um absurdo, mas gostaria de ter condições de melhorar, sem exageros é claro”. Outra pergunta polêmica para a candidata foi a respeito da fidelidade partidária - a candidata foi eleita à vereadora pelo PT e hoje se candidata à prefeita pelo PPS – e sem constrangimento algum, Soninha disse que a fidelidade partidária tem com função impedir o “troca-troca” de partidos sem impedir mudanças legítimas. Ela afirma que terá que mostrar que saiu do PT por motivos justos – no seu caso por não concordar mais com o rumo que o partido tem tomado – para não perder o mandato de vereadora.
As perguntas finais para a candidata foram sobre seus oponentes, futebol e maconha. A primeira era sobre qual programa de gestões anteriores Soninha manteria caso seja eleita, e ela respondeu alguns como os CEUs, – com melhorias - de Marta Suplicy, o programa habitacional na favela do Gato – Parque do Gato, também de Marta, algumas medidas ambientais tomados no governo de Gilberto Kassab, como o Programa de Corredor Limpo, sistema cicloviário e o Programa de Defesa da Águas – que de segundo Soninha precisa de ajustes – e ainda ressaltou algumas qualidades e alguns defeitos do PT e PSDB como a preocupação com a sustentabilidade dos programas e sua qualidade – ponto positivo de ambos os partidos – e o excesso de “conversa” do PT, que acaba gerando demora nas resoluções e a falta de “conversa” do PSDB, que não houve a população e acaba tomando muitas medidas que futuramente prejudicam a todos.
A candidata, que é jornalista esportiva, foi questionada sobre a copa de 2014, e afirmou que apesar de defender o direito de recebermos a copa no Brasil, fica sempre com “o pé atrás” porque obras são ótimas para serem superfaturadas, contudo disse que, “o futebol é um traço cultural brasileiro” e que como haverá copa aqui de qualquer maneira os eleitores e a mídia devem ficar atentos.
Após o futebol, o tema foi polêmico na sabatina, Soninha teve que responder sobre o fato de já ter admitido usar maconha e sobre seu posicionamento a favor ou contra sua legalização – nesse momento os componentes da mesa e todos da organização se olharam, e um breve momento de suspense pairou no ar - e apesar da saia justa, a candidata respondeu com tranqüilidade e explicou o que gerou a confusão. Soninha afirmou que não usa maconha há anos e disse que quando deu a entrevista para a revista Época – a partir dessa entrevista a polêmica teve início – o objetivo proposto pela mídia era uma discussão política entre algumas pessoas conhecidas, mas que infelizmente o resultado final não foi esse e tudo acabou parecendo como uma declaração de sua intimidade. Ela disse que para haver discussão sobre o tema é preciso haver mais informação sobre a maconha e seus efeitos. A candidata falou sobre o risco de câncer, a dependência, “que não acontece como com outras drogas” e os danos sociais, já que a droga é ilegal e o combate é armado. Para Francine a repressão não funciona, só dá lugar a outras drogas e se disse a favor da descriminalização por causa dos danos sociais.
Para finalizar a noite, Soninha respondeu em que candidato votaria se não fosse candidata, e afirmou ser Ivan Valente. Depois da sabatina ser encerrada, Soninha Francine foi muito aplaudida por todas as pessoas presentes, abraçou amigos, que a surpreenderam com sua presença, e sua filha – que é formada em biologia pelo Mackenzie – além de tirar muitas fotos com toda a organização do evento e com seus eleitores. Após a sessão tietagem, a candidata deu uma entrevista, exclusiva, para o Jornal Diretriz. Acompanhe nossas perguntas e as respostas da candidata no próximo post.
Mariana LanfranchiFoto: Lucas Rossi