quarta-feira, 24 de setembro de 2008

“A cidade é para todos e não apenas para alguns”

Ivan Valente define seu o plano de governo apresentado, que defende a inversão de prioridades, um novo projeto para a arrecadação de recursos e justiça fiscal, em uma única frase: “A cidade é para todos e não apenas para alguns”. Essa foi uma das declarações feitas pelo candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, na noite do dia 22, na sabatina realizada pelo Jornal Diretriz e o Diretório Acadêmico João Mendes Júnior – faculdade de direito - da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ivan Valente iniciou seu discurso criticando as propagandas eleitorais milionárias dos outros candidatos e a ligação direta que elas tem com empresas – o que num futuro mandato gera o famoso “rabo preso” - e explicou que por isso prefere fazer uma campanha mais simples e menos problemática futuramente. Após essa crítica, ele apresentou propostas como a utilização de 10% do PIB para investir na educação e melhorar sua qualidade, a criação de uma empresa pública de transporte, que controlaria melhor a demanda de ônibus, trem e metrô, além de torná-lo mais confortável e seguro. O candidato defende também mudança no Plano Diretor, com o objetivo de controlar a especulação imobiliária, e com isso elevar a qualidade de moradia de aproximadamente 3 milhões de habitantes. Para finalizar suas propostas, Valente prometeu a suspensão do pagamento dos juros da dívida pública da prefeitura para o Estado, e esse dinheiro seria destinado a inversão de prioridades que ele pretende fazer, dando maior ênfase e melhorando a qualidade de vida das classes menos favorecidas.

Após a explanação de seus projetos, o candidato respondeu às perguntas dos alunos e aproveitou, é claro, para divulgar mais suas propostas. Tiago, aluno de direito, perguntou a Ivan Valente, caso ele seja eleito, como ele faria para driblar os interesses políticos, muitas vezes adversos dos vereadores, e teve como resposta que a mobilização política da população é a melhor saída, e não a submissão e a compra e venda de votos. Ao ser questionado sobre como ele pretende lhe dar com a divergência de sua identidade política – socialista - e da realidade de São Paulo – um centro financeiro capitalista – e como acredita poder atender às necessidades da classe média e alta, o candidato do PSOL disse que não há como implementar o socialismo em apenas uma cidade, mas que pode inverter a situação e promover maior inclusão social, implantando medidas que favoreçam também a minoria. Ivan Valente afirmou que não irá discriminar nenhuma classe, já que as mais favorecidas já são atendidas, e enfatizou que nenhum direito será tirado, mas que outros também os terão.

Um dos momentos mais marcantes da palestra foi a observação feita por Giovani Ravagnani, aluno de direito, que ressaltou o fato do “candidato da Instituição” não ter comparecido – referindo-se a ausência da Gilberto Kassab, que se comprometeu com os alunos do Diretriz, via assessoria de imprensa, que compareceria ao encontro às 19h00 da mesma noite – e o candidato da oposição – Ivan Valente – estar presente. Surpreso, o palestrante agradeceu o parecer do aluno e brincou com o acontecido lembrando que em 1968 ele estava na Rua Maria Antônia, que virou palco da batalha entre o a faculdade de direito do Mackenzie e a faculdade de filosofia da USP – que antigamente tinha sede no atual prédio do TUSP.

A palestra, que teve duração de aproximadamente 1h30, terminou em torno das 10h30 da noite com aplausos e com muitos estudantes tentando falar com o candidato. Mesmo cansado, Ivan Valente falou, exclusivamente, com o Diretriz e pareceu não estar abatido ou decepcionado com o pequeno público daquela noite, cerca de um terço do Auditório Ruy Barbosa. Veja a seguir a entrevista:

D: O que você pensa sobre o público universitário votante?

IV: No público jovem não há algumas pessoas interessadas porque estão em busca de um caminho individual, e outras que estão em busca de saídas e tem grande interesse na política. As denúncias de corrupção confundem a nobreza da política com a sujeira, e a população também fica confusa.

D: Qual era sua expectativa em vir ao Mackenzie?

IV: Minha expectativa era positiva. O movimento estudantil, e o fato de eu ter participado contra a ditadura me fascinam.

D: Seu posicionamento e abordagem foram modificados para palestrar aqui?

IV: O Mackenzie em 1968 era identificado com de direita, hoje isso mudou. Em todas as universidades há os dois lados. Vim sem nenhuma resistência para o Mackenzie.

D: O fato de você não estar brigando “voto a voto” pela prefeitura te estimula ou desanima?

IV: A disputa está sendo importante para a formação e construção do partido, além do conhecimento do público. O processo me estimula a continuar o partido, e hoje temos um reconhecimento de nossa seriedade e ética, e a matriz de esquerda reconhecida.


Mariana Lanfranchi

2 comentários:

Letícia Flores disse...

Ótima cobertura feita! E como já esperado, Ivan Valente sem desagradar e muito menos agradar.

Uma dúvida: qual motivo Kassab alegou para a sua ausência? Ou, simplesmente, não apareceu?

Até o próximo post.

Natália Daumas disse...

Mari,
mandou muito! Sérião! Você deu uma força muito legal nos dois dias! Fica aqui meu agradecimento e meus parabéns pela cobertura!

Lê, o Kassab estava da Rede Tv! ao vivo... preferiu ir lá! (mas agora ta correndo atrás pra consguir outro dia no mack. vamos ver se rola.)