SF: Eles são cheios de ação. Quem pensa que hoje eles não querem nada estão muito equivocados, mas isso acontece porque antes eles tiveram um papel importante na ditadura, e agora não se tem uma causa para uní-los. Hoje há outras formas de lutar. Em faculdades e em periferias há vários movimentos pela educação, saúde, transporte... É uma pena que eles não tenham contato com a Câmara, ela precisa de mais pressão. Geralmente quando há um contato, há um equívoco. Não se pode idealizar mulheres e jovens.
D: Qual é o peso desse público na sua campanha?
SF: Sem dúvida é um público que já me conhece, é uma vantagem. Mas eu não me dirijo especificamente para eles há um grande número de pessoas mais velhas desiludidas com a política. Eles têm um grande peso.
D: Você se diferencia dos outros candidatos por não ser extremista, nem para a direita e nem para a esquerda, como você tem feito isso?
SF: Talvez o budismo (risos). Eu já fui mais intolerante e intransigente, ainda sou com algumas coisas na verdade. O budismo faz diferença. Desde criança sou meio advogada do diabo, sempre me pus do outro lado. Tenho um verdadeiro fanatismo por justiça, sempre sou impulsiva quando ela existe. Acredito que quando a gente carrega isso para a campanha, nos tornamos mais sensatos, lúcidos.
D: Soninha, você acha que a questão da maconha acaba ofuscando o que você quer passar na verdade? Incomoda muito, você se arrepende de ter dado a entrevista?
SF: Não, não me incomoda e não me arrependo. Apenas lamento. Me incomodo muito quando há uma condenação sem saber o que realmente penso. Fico espantada quando me perguntam se entrei para a política depois da entrevista, isso é fazer política de verdade, questionar, informar... Minha posição é essa, mesmo que me faça perder votos, não posso enganar a mim e aos meus eleitores. Sempre me disponho a falar do assunto porque é uma discussão política.
Mariana Lanfranchi
Foto: Lucas Rossi

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